5 de abril de 2010

Sobre o tempo e as visitas

Você veio e foi embora, assim como um vento que traz o cheiro de comida da casa da vizinha e passa. Queria que você tivesse ficado mais. Tinha tanta coisa para te contar. Coisas banais, coisas sérias, coisas minhas, coisas suas que eu sabia e queria confirmar. Mas você foi embora sem nem me perguntar como eu ficaria. Achei-te muito egoísta naquela hora e pensei em te odiar pra sempre, mas esse pensamento passou rápido e ficou só o choro. Chorei porque sabia que sentiria saudades e que a falta que você me faria iria durar muito tempo. Tempo demais. Pensei em procurar outra pessoa pra substituir sua presença, mas você sabe que eu não sei fazer essas coisas. Sou em demasiado apegada a velhos sentimentos e trocá-los por novos é complicado demais pra mim. Passei a frequentar outros lugares pra me acostumar sem a sua companhia e fui aos que nós fomos juntos pra me ver lá, sozinha. O tempo está passando e eu me pego em pensamentos bestas de que um dia você talvez volte pra me fazer uma visita, a gente pode colocar o papo em dia e eu tiro essa cisma de que fiz alguma coisa errada. Eu sei que a vida vai nós carregar pra lugares distantes, porque é esse o sentido de ir embora, mas se um dia pensar que talvez valha a pena passar por aqui, vou abrir a porta pra você e falar: “Quem bom que você veio. Estava com saudade.”