11 de dezembro de 2006

(2)

Joaquim não sabia o que dizer pro homem vestido com tal esmero. Nunca em sua vida tinha imaginado entrar num lugar tão cheio de botão e ficou surpreso que cada botão servia pra alguma coisa. E como tinha gente também. Todo lugar do resto do mundo era cheio de muita gente.
O homem bem vestido não era na verdade tão agradável quanto a sua roupa. Era, pra ser bem verdadeiro, muito sem educação e Joaquim não tinha costume em conversar com pessoas mal educadas. Teve que puxar toda a paciência do fundo da sua cabeça e falou:
-A Rita mandou que eu viesse.
O homem que parecia não poder perder tempo com nada, respondeu com uma braveza sobrenatural:
-Quem é Rita? Pra ela mandou que você viesse? E afinal de contas, quem é você?
Joaquim pensou que era mesmo pra responder, porque ele foi ensinado que quando alguém perguntasse alguma coisa pra ele era, e de muita, educação responder. Ainda mais se fosse tantas perguntas juntas.
-Olhe, eu sou Joaquim. Rita é...
Foi interrompido e percebeu que sua educação parecia não valer muito ali na casa dos botões.
-Seja objetivo, meu senhor.
Joaquim cada vez ficava era mais confuso, então tentou ser o mais aquilo que o senhor o mandou ser.
-Joaquim, Rita, tocar flauta, resto do mundo, pessoa importante, casa na praia.
Tinha ficado sem ar, mas tinha aprendido a ser objetivo.
-Você quer tocar flauta no programa porque essa tal de Rita quer que você se torne uma pessoa importante e compre uma casa na praia pra ela? E seu nome é Joaquim.
Joaquim ficou foi é besta que o homem tivesse entendido tudo assim tão ligeiro.
-É isso!
-Pois bem, se escreva como todo mundo. E escolha um nome, porque “Joaquim” não é nome de gente importante, ou quem quer ser uma.
Como assim “Joaquim” não era nome de gente importante? Joaquim gostava de “Joaquim”. Era, e como, um nome muito bonito. Não iria escolher é nome nenhum. Sua mãe, D. Joaquina, tinha lhe dado o nome dela na versão masculina e era com ele que Joaquim iria ficar.
Agora que já tinha decidido ficar com seu nome mesmo, porque ora essa era o nome dele, foi atrás de ser escrever como todo mundo. Quando achou a fila entendeu o que realmente era um fila. As filas lá da lonjura de onde ele vinha, eram assim não muito filas. Elas não davam voltas e não pareciam ter fim. Mas Joaquim achou o fim e agora faltava só se escrever como todo mundo, continuar com seu nome , tocar a flauta, se tornar pessoa importante, comprar a casa e trazer Rita lá de longe porque a saudade tava que dava volta no peito dele e parecia não ter fim que nem aquela fila.